segunda-feira, 10 de junho de 2013

Margaret River - escaladas e passeios

Primeiro final de semana já prometia. A Pat e o Jorge planejaram para nos levar para Margaret River, uma cidade que fica no sul da Australia Ocidental (Western Australia) e abriga alguns dos melhores picos de escalada de lá. O casal de canadenses escaladores Shane e Raph (que ficaram muito amigos da Pat e do Jorge) foram convidados a se juntarem a nós também, e sexta no final da tarde saímos em direção à Margaret River, ao sul de Perth. Pouco mais de 3 horas de viagem e chegamos na casa que eles alugaram para passarmos o final de semana. Fomos dormir cedo (tentar pelo menos porque eu não conseguia dormir por nada no mundo e sempre acordava às 3 da manhã por causa do fuso horário) porque no dia seguinte iríamos cedo escalar nos cliffs à beira mar de Wilyabrup.

visão geral da casa que alugamos

Raph, Pat e Jorge preparando o chá da noite

Acordamos cedo, e já fui recebido por um canto muito estranho fora da casa. Parecia um macaco gritando alto. Corri lá e já conheci o famoso cucaburra, pássaro típico da região ocidental da Austrália, que já me deu uma amostra da diferença de fauna que ia encontrar naqueles cantos do planteta. Tomamos um café e tocamos pro local da escalada.

cucaburra e seu longo bico característico

Pequena caminhada e já avistamos o mar e algumas das formações rochosas. Magnífico o visual!!! Maciços rochosos lindos de cor laranja à beira mar. Fiquei bestificado com as luzes da cidade, digo com a beleza do lugar. Rocha de muitas fendas, perfeito para a escalada em móvel, que predomina no lugar, tirando algumas vias fixas, onde usa-se os danados dos carrots (chapeletas removíveis). Foi lá que tive a minha primeira experiência com essa invenção dos infernos (hehe). Escalamos o dia todo, alternando vias móveis, e fixas (ou meio fixas com as porcarias dos carrots), e algumas mistas.




Shane brincando com o vento e mostrando as vias




formações curiosas




haja fenda e móvel


eu me atrapalhando todo com os carrots



No final do dia, resolvemos entrar em uma das vias mais bonitas do lugar, chamada Stainless Steel. Um 7a (grau 21), misto, que segue por uma bonita fenda no início, passa por uma parede bem vertical de pequenas agarras (e alguns carrots) e termina em um tetinho em móvel. O Jorge entrou guiando, e parou na parede vertical. Eu entrei então guiando atrás dele, e depois de muuuito perrengue para costurar o carrot no lance do crux, consegui passar e terminar a via. Que delícia de via!

Jorge na fenda inicial da Stainless Steel


fica esperto aí que você vai entrar no cruuxx... cruuuuxxx.... crrruuuux...


e lá vou eu tentar terminar a via



tetinho filé no finalzinho



Voltamos pra casa, e a Raph fez um excelente jantar com um prato de batatas enquanto o Jorge brigava com a churrasqueira, e de sobremesa, super pudim de leite condensado da Flavinha! Depois de algumas cervejas, o sono bateu forte e lá fui eu tentar dormir de novo (e acordar às 3 da manhã sem sono de novo).




stupid game que só a Raph conseguiu montar

Dia seguinte fomos para o Cape Leeuwin Lighthouse, local de junção dos Oceanos Índico e Antártico. Dali pra baixo, só a Antártida.







Passeamos bastante, e ainda aproveitamos para visitar algumas vinícolas da região, muito famosas na Austrália. Almoçamos, degustamos alguns vinhos, e hora de voltar pra Perth.



Que primeiro final de semana de viagem!!! Muita escalada, lugares lindos, animais exóticos, tudo que eu esperava de uma viagem tão importante na minha vida. Tá só no começo!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aclimatando em Perth

Depois de quase 36 horas de vôo, finalmente cheguei na Austrália! Todo torto de tanto avião, cheguei e corri direto para dar um grande abraço na Flavinha!!! (afinal foram 3 meses de distância). Fomos direto para a casa da Pat e do Jorge, e ainda tivemos um jantar de comemoração da minha chegada: super macarrão com molho de tomate e bacon (especialidade da Flavinha).

aeroporto de Dubai - escala da ida


primeira noite na casa da Pat

Os dois dias seguintes foram para me adaptar ao fuso horário e conhecer a cidade e as imediações. Muita bicicleta pela cidade e passeios a pé. A casa da Pat e do Jorge fica às margens do Swan River. Um lugar extremamente agradável e bonito, com muitas árvores, gramados muito bem cuidados e animais pra todo lado.


a vista da casa da Pat e do Jorge a partir do rio

a casa deles é a do meio

Na sexta-feira ainda fomos conhecer o King's Park, um dos maiores parques urbanos do mundo, com muita área verde e lotado de gente aproveitando o ambiente que lhes é proporcionado. Oh diferença do meu Brasil...



quarta-feira, 29 de maio de 2013

No canyon do gavião

Fim de semana chegou e tinhamos o casamento do Caca pra ir na Serra do Cipó. Combinei com o Guilherme de irmos juntos pra rachar a gasolina e aproveitamos para combinar uma caminhadinha pelo Parque Nacional do Cipó no domingo pra terminar de aproveitar o fim de semana. Dessa vez o objetivo era ir até a Cachoeira do Gavião pela trilha, e de lá subir o canyon acima do Gavião até a cachoeira Congonhas.

Depois de tomar algumas no casamento, acordamos por volta das 7 e meia, passamos na padaria da rotatória pra tomar um café e tomamos o rumo da entrada do parque. Fomos recebidos por um guarda-parque que nos informou que o parque não está cobrando para visitação (uau!!!). Conversei um pouco com ele e me disse que esta é uma decisão do gerente do parque que já dura 2 anos e não existe previsão para voltarem a cobrar. Portanto, bora aproveitar pra caminhar moçada!!!

O tempo estava bem nublado com algumas chuviscadas de neblina. Quase desanimados começamos a caminhar por volta das 8:30, e pouco antes das 10:00 chegamos à cachoeira do Gavião, linda como sempre.




O tempo continuava meio nublado mas agora sem chuviscos. Visualizamos um provável caminho de trepa pedra entre as pedras e tocamos pra cima. A cada tanto que subiamos conseguiamos visualizar mais um pedaço do paredão negativo!!! Que visual incrível!!! Uns 40 metros de rocha laranja e rosa!!!

No meio da subida paramos e ficamos ali alguns minutos apreciando a grandeza do paredão, nos sentindo esmagados pela imponência do canyon...

vista do início da subida pela lado da cachoeira do gavião

parede mais alta e mais negativa do canyon

Acabamos de subir o canyon e depois continuamos por mais uns 40 minutos por entre as pedras no leito do rio, passando por outros paredões menores até chegar na cachoeira Congonhas. Outro lindo visual!!!

Nesse momento o sol resolveu aparecer e nos encorajou a tomar um banho geladíssimo no poço da cachoeira.

subindo pelo rio até a cachoeira congonhas

cachoeira congonhas

Que caminhada linda!!! Como sempre o Cipó me surpreendeu novamente... Quanto mais tento explorar os detalhes e os pequenos lugares, mais paraísos perdidos encontro por entre os morros desse parque que, na minha opinião, é um dos mais bonitos lugares pra se caminhar no Brasil!!!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fim de semana de lendas vivas e ATM no RJ

por Rafael Gribel

Fim de semana de ATM (Abertura de Temporada de Montanhismo) no Rio de Janeiro, e o Xaxá lançou a idéia de passar um fim de semana de escalada na cidade maravilhosa. A idéia inicial era partir na sexta-feira, escalar sob a lua cheia à noite, escalar sábado e domingo e participar da ATM no domingo a tarde. Eita!!!

Então partimos eu, Xaxá e Giba a caminho do RJ na sexta a tarde. Chegamos no RJ por volta das 5 da tarde e fomos direto pra Jacarepaguá, onde o pai do Xaxá mora. No caminho, passamos na academia do Felipe Dallorto pra chamar ele pra fechar as cordadas com a gente. Combinamos de nos encontrar às 20:00 na casa dos pais do Xaxá, e a idéia era comprar uns churrasquinhos, e levar pra pedra pra comer no cume.


Noite de linda lua cheia, partimos as 20:30 pra pedra. O objetivo do dia era o morro do gramado, uma pedra de aproximadamente 60 metros de altura que fica no quintal do condomínio onde os pais do Xaxá moram. Pouco mais de 20 minutos de caminhada e já estávamos na base da pedra. Eu e o Xaxá resolvemos entrar numa via de 4o grau muita bonita de duas enfiadas, chamada Meninos Proibidos, com alguns lances bem verticias, e o Felipe fez cordada com o Giba na via Aida, um 3o bem vertical limpo muito bonito de duas enfiadas. Rapelamos de volta para a base na fomiagem de fazer outra via, mas como já beirava as 11 da noite, resolvemos repetir a Aida em uma cordada só e parar no cume pra comer os churrasquinhos. Como haviamos levado os churrasquinhos embrulhados em papel aluminio e dentro de um isopor ainda comemos a carninha morninha.


Sábado foi dia de escalada maior. Combinamos com o Carrô (vulgo Carlos Alberto Carrozino, pai do Xaxá) de fazer uma via de 6 7 cordadas na Prainha, uma praia que faz parte de uma reserva ambiental lindíssima, onde a mata atlântica lambe o oceano e se ergue na montanha à frente do mar a uma altura de uns 200 metros de altura. Lindíssimo visual!!!

base da via... a via sai do estacionamento da prainha... eita!

O Carrô me deu o privilégio de dividir a corda com ele nessa escalada, e então partimos as duas duplas para a escalada. A escalada é principalmente de agarrência, com alguns trechos mais verticais, e umas barriguinhas estranhas. O Xaxá começou guiando com o Giba de segundo, e eu e o Carrô seguimos as duas primeiras enfiadas logo atrás. No final da segunda enfiada, com o Carrô bailando e passeando nas aderências, enquanto eu e o Giba tomávamos um espanco, tomamos a dianteira e tocamos na frente, numa espécie de cordadas simultâneas, cada hora com uma dupla passando à frente. Sobrou pra mim então entrar guiando a cordada do crux. Ouvimos várias vezes do Xaxá a estória do grampo do crux dessa via que havia saído no pé do Carrô na última vez que haviam feito essa escalada, então não tinhamos certeza que um grampo novo havia sido colocado no lugar. Entrei então no lance do crux guiando que é um trecho bem vertical em diagonal para a esquerda, com nenhuma agarra de mão e algumas agarrinhas pequenas de pé. Me equilibrei num regletinho, acreditei no pé, levantei o corpo e consegui passar o lance. Por sorte, o grampo que tinha saído vinha exatamente depois do crux e estava lá um novinho protegendo o lance seguinte que não era nada fácil e que ajudou bastante no psicológico, principalmente depois de eu ter saído do lance do crux com as pernas tremendo igual vara verde. Dali pra frente a escalada ficou mais tranquila, passamos então por um platozão de capim gordura que nos deixou bem preguentos, e depois disso foi só mais uma enfiada de uns 40 metros por rocha entre os gravatás. Cume!!! Chegamos os 4 ao cume por volta das 11 da manhà, e o dia estava maravilhoso, com o oceano lotado de surfistas aproveitando as ondas da prainha.


Que escalada sensacional!!! Escalar com o Carrô foi um privilégio e uma inspiração. Um homem de 69 anos de idade, esbanjando disposição e energia, e com uma técnica refinada de escalada, progredindo na via como se estivesse passeando no quintal de casa. Valeu pela parceria Carrô!!!



cume!!!

Descemos por trilha, tomamos uma cervejinha e um banho de mar e voltamos pra casa do Xaxá pra almoçar 2kg de camarão fresquinhos.ao som de causos e mais causos do seu Carrô.

À noite fomos para a Urca assistir as palestras do Raphael Nishimura, e do Flavio Daflon e Sergio Tartari sobre a conquista no Fitz Roy. Fantástico!!! Mias duas lendas vivas da escalada brasileira, que conquistaram uma via de 1200 metros batendo apenas uma chapeleta, em uma das montanhas mais difícies do mundo!!! Outro ponto alto do fim de semana. E ainda sobrou ânimo pra ir tomar uma cerveja artesanal em um buteco de um amigo do Xaxá.


No domingo acordamos novamente bem cedo, e a idéia era escalar na Urca e depois ficar pra ATM. Chegamos na entrada da Pista Cláudio Coutinho por volta das 8:30, e decidimos escalar na Parede dos Coloridos. Fizemos a via Azul, a qual sobrou pra eu guiar também novamente fazendo dupla com o Carrô. Abaixo, o Giba decidiu soltar as asinhas e guiar na agarrência do Rio com o Xaxá de segundo.

Carrô e Giba na P1 e eu tocando pra cima

Carrô passeando na agarrência

Outra escalada muito bonita! 2 IIsup (heeeinnnnn??!!!!) com muitos pés e poucas mãos, e alguns esticões. Depois da P3 o Carrô ainda decidiu continuar no meio das bromélias pra chegar num top mais acima, e eu fui de segundo praticando o mais típico montanhismo de máximo impacto (não façam isso em casa).

P3 da Azul

Depois do rapel, voltamos pra praça General Tibúrcio arrumar a barraquinha do CEM/FEMEMG. Arrumamos tudo e o Xaxá manteve a tradição de levar umas garrafas de cachaça pra atrair o pessoal, e foi impressionante o ibope da marvada. Toda hora chegavam mais e mais cariocas atrás da braquinha.



Fim de tarde, pegamos as trouxas, colocamos tudo no carro do Xaxá e tocamos de volta pra BH.

Fim de semana espetacular!!! escaladinha sob a lua cheia, parceria com a lenda viva Carlos Alberto Carrozino (vulgo Carrô), presença dos montanhistas mais ilustres do país... A ATM do Rio virou uma referência e ponto de encontro nacional!!! Ano que vem estaremos lá de novo com certeza, e com mais algumas garrafas de cachaça pra atrair os mais animados...